O Congresso futurista

Escrevi um texto sobre o filme O Congresso futurista aos 16 anos, logo após sair do cinema – perdoem-me!

Devaneios sobre o filme “O congresso futurista”:
Muitos de nós queremos encontrar nossos seres interiores, nossos “selfs”, ideia tipicamente moderna. Mas é uma boa ideia?
O filme O congresso futurista tem um momento interessante sobre isso, o filme é sobre uma atriz (Robin Wright, que interpreta a si mesma) que está em fim de carreira, mas recebe a proposta de ser escaneada pela sua produtora e setransformar em uma espécie de atriz digital (quem apareceria nos filmes seria a digital, eles seriam feitos por técnicos com a larga escala de atores digitais – o novo modo de fazer filmes!) enquanto ela poderia (e deveria) parar de trabalhar e procurar seu verdadeiro eu (como é dito o filme!).
O que eu quero aqui é um momento específico antes desta atriz assinar tal contrato, ela leva seu filho para um médico (um gênio com uma doença degenerativa) para fazer uma bateria de exames, o filho dela passa por um teste de audição, em que ele tem que repetir as palavras que o médico diz, ao invés disso ele acaba fazendo interpretações das palavras que são ditas pelo médico. Em uma conversa sobre o menino médico comenta que o cinema no futuro será como ele, ou seja, não haveria texto, mas apenas interpretações. Explico.
O filme que nós veríamos seria produzido pelo nosso Self, mas já não é assim?
Há no mundo algo que não é interpretação? Existe um mundo verdadeiro (como no filme)?
Certa vez quando eu era criança me veio um pensamento, tendo os gatos e as cobras olhos diferentes dos humanos, e estes olhos diferentes um do outro (eu gostava de pesquisar sobre cobras e gatos [também gostava de cachorros!]) como era o mundo de verdade, está cor é assim mesmo? Essa pessoa é assim mesmo? Esse sofá é desta maneira? Então tinha certeza que o mundo não era do jeito que eu via. Como era o mundo então? A minha crença era de que Deus poderia ver o mundo como ele realmente era, e nós humanos (cobras e gatos) estávamos presos aos nossos olhos.
Infelizmente Deus já morreu, parece que nos sobrou apenas perspectivas do mundo. Não existe o dualismo que o filme colocou, um mundo verdadeiro e ruim e um mundo de devaneios causados por drogas este bom e perfeito.
Faz me rir gente pensando que um mundo governado pelo seu Self seria bom e perfeito. Para a maior parte de nós (excluo aqui os pobres e os burros) a nossa vida é como nós queremos. Seria fazer pouco de nós mesmo achar que queremos apenas bons momentos. No filme ela pergunta por que as luzes haviam se apagado, ou se era coisa “da cabeça dela”, a resposta do empregado nos da uma visão do nosso Self – moça tudo é da sua cabeça, se você quer escuro terá escuro. Precisa desenhar?
No filme cabe varias discussões, para ausiliar outras possiveis eu recomento estes textos do filósofo Paulo Ghiraldelli (Vício e droga – para além da “fraqueza psicológica” ou das “más companhias” e o programa programa em que ele participa Hora da coruja Sociedade do vício)

 

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