A invenção da utopia

A invenção da utopia

A ideia antiga de utopia desapareceu com a descrença na metafísica. Uma das chatices do fim da metafísica é que o homem deixou de pensar nos milênios que lhe seguiriam. Tudo aquilo que é mais duradouro que o bronze deixou de ser tema das mentes de nosso tempo. A ideia de utopia está ligada com o pensar o longe. Pensar o mais duradouro que o bronze. O pensamento utópico é um compromisso do ser de determinado tempo com as gerações futuras. Não com a dos filho, ou netos, nem bisnetos – como poderiam pensar o ecologistas. Mas sim um compromisso com o continuar da humanidade como algo, algo humano. O fim da utopia no sentido antigo não se deu com aquele alemão que inspirou as massas operárias. Mas sim com aquele outro que pensou no além-do-homem.

Pensar numa sociedade justa é uma preocupação muito coerente para aquele que quer reconstruir sua sociedade [reconstruir uma sociedade que passou por uma situação de anomia]. No sentido de pensar as bases sob as quais ela deve ser assentada.

O gênero literário utópico é uma crítica do mundo vigente por meio de mundos além do presente.

Pensar outros mundos para o nosso presente é imaginar quais serão as tecnologias em cinco mil anos.

Quando perguntado como seria a terceira guerra mundial, Einstein respondeu que não sabia. Porém que a quarta seria com paus e pedras. Voltamos aos ecologistas. A grande crítica do mundo vigente é uma crítica da produção não sustentável. Uma crítica negativa porque se baseia em um mundo indesejável – para a maioria. Um mundo em que o planeta voltasse a se recuperar, após o desaparecimento dos seres humanos.

A crítica da tecnologia nasceu na direita e foi sendo ganha pela esquerda. Os Verdes estão sempre ligados à extrema-esquerda.

De uma crítica pesada ao humanismo. À maneira como o homem manipula tudo o que vê. Esta critica foi se transformando numa crítica ao mercado. Este que explora os escassos recursos naturais para ampliar o lucro. Esta crítica teve que passar por cima de um argumento que, apenas de mau, foi muito forte. O de que a exploração desenfreada da natureza poderia diminuir a miséria e a fome no mundo.

Esta crítica trás novamente um clima utópico para o mundo? Se trás, é apenas com uma nova dosagem do veneno. A tecnologia aparece como a grande salvadora para os males da tecnologia.

A invenção do barco é a invenção do naufrágil.

Pedro Possebon, Santo André, 1 de dezembro de 2015

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