A ciência como atividade metafórica

A ciência como atividade metafórica

A forma como é sistematizado o estudos das figuras de linguagem é muito curiosa. Pois conta com quatro divisões, que se excluirmos as “figuras de” sobra uma noção interessantíssima sobre o que é a própria linguagem. As figuras de linguagem são divididas em, figuras de som, de palavra, de pensamento e de construção. Aqui há uma reflexão sobre a linguagem. Pois, com esta divisão, podemos dizer que a linguagem é som, palavra (ou seja, algo que no limite é imagem), pensamento (atividade de abstração) e construção (ou seja, forma, forma de formalidade, de causa formal, se é que me entendem).

A Metáfora é uma comparação sem necessitar a presença dos elementos comparativos. Isto abarca toda ideia de ciência pré-ceticismo. O Ceticismo trouxe a necessidade da comprovação empírica. Com isso, fez com que a ciência deixasse de ser apenas comparativa-racional e passasse a ser experimental a fim de verificar na experiencia empírica o real. Pré-ceticismo a ciência poderia ser apenas uma atividade metafórica e em certo sentido ela continua sendo.

As teorias e ciência não empíricas – hoje, com o fim da Metafísica, a tão prestigiante Matemática vai a frente, neste carrossel de ciências não empíricas, meramente subjetivas em que não há vencedores no final e em que todos vão ganhar uma medalinha dizendo “good job” sem mesmo saber direito o que produziram ou não…

As ciências não empíricas são ou poderiam ser uma mera atividade metafórica. Pois, o real poderia ser apreendido com uma imagem, mais ou menos semelhante, do objeto que se pretende apreender. Dou exemplos de todas as espécies.

Tudo é água – com isso Tales de Mileto apreende que o movimento do cosmo pode ser entendido como se entende a mudança de estado líquido. A água mudando de líquido para sólido, de sólido para gasoso e etc. – todos aqueles processos que eu deveria ter decorado nas aulas de Química.

O inconsciente – pensar que há uma subjetividade no homem é ideia de maluco. A partir disso, pensar que há uma consciência é mera conclusão da loucura primeira. Agora, pensar que na consciência que foi por si inventada há um inconsciente. Aí meu amigo, é para internação. Pois, nem mesmo faz sentido, não há comprovação empírica possível. Porém, é a imagem de que a consciência é a ponta do iceberg, enquanto o inconsciente é todos resto. Pensar que existe uma consciência vinda do inconsciente é importantíssimo para compreender o que queríamos entender quando inventamos o nome psyché.

As Esferas do Sloterdijk – pensar que o homem é um ser que vive no dentro é um absurdo. Pois se há dentro é necessário haver fora, e segundo este pensamento o homem não pode viver no fora. Ou seja, já a partida este pensamento é incoerente. Porém, explicar a existência relacional do homem com metáforas espaciais e explicar estes espaços como esferas imunológico-ressoantes é de uma inteligencia e perspicácia não quantificável.

A ciência não pode funcionar apenas como empiria. Pois estaríamos nos esquecendo de que o começo disto tudo nós não vimos. E não poderíamos ver, mesmo que com uma luneta mágica nós pudéssemos observar a explosão originária. Seria burrice pensar que o mundo surgiu dali. O que teria originado a explosão originária? A Metáfora e a Metonímia (que prometo estudar e explanar posteriormente) são a atividade científica por excelência. Seria de uma estupidez não quantificável pensar diferente… é claro que uma metáfora pode ser verificável no mundo, porém surge aí outra figura, a catacrese.

Pedro Possebon, Santo André, 27 de abril de 2015

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