Haiti

O músico e compositor português Zeca Afonso na música “O pão que sobra à riqueza”  cita um ditado popular alentejano: “Se a morte fosse interesseira / Ai de nós o que seria / O rico comprava a morte / Só o pobre é que morria.” Porém hoje este adágio transformou-se em profecia. No Haiti, seis anos após o terremoto que deixou cerca de 200 mil mortos, o país foi devastado por um furacão que matou – pelo que se sabe até agora – na casa de 880 pessoas e deixou 62 mil desabrigados.

Eu tinha, creio, 12 anos quando o Haiti foi devastado pelo terremoto. Uma boa professora minha, creio que de Geografia, disse-nos em aula “levarão 15 anos para reconstruir o Haiti”. Fiquei assustado com a data, porém tive a esperança de que este tempo realmente fosse suficiente para o país ser como antes – esperança daquelas mal-amanhadas. Aos doze anos tive a evidente impressão que depois de 15 anos nada voltaria a ser como antes, e se fosse, com as notícias que me chegavam da pobreza do país, voltar a ser como antes não seria nada abonatório.

Cheira-me que um espirro de deus é tornado para o pobres e briza para os mais abonados.
Talvez eles ganhem o reino dos céus, pois seu inferno já foi este nosso mundo.

Pedro Possebon, 8 de outubro de 2016, Santo André

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