Ácido Sulfúrico na cabeça

Numa entrevista um membro do Porta dos Fundos disse que sua única preocupação quanto as esquetes políticas do grupo era em que todos não ficassem marcadas com a figura do Gregório Duvivier.
Compreendo o medo dele. É natural que uma figura marcante como a do Gregório, com a prática militante que ele vem assumindo cada vez mais desde 2014 – com todo direito, claro -, marque determinado grupo e espaço em que ele frequente.
Porém, meu assunto de interesse aqui é o de tomar a parte pelo todo. Este é um hábito natural do ser humano, dado que a linguagem necessita de generalizações.
Não faria sentido enunciar uma sentença e logo em seguida fazer referência à todas as exceções existentes na história da humanidade quanto aquele assunto.
Fazemos generalizações. É um uso comum da linguagem. O único problema ao qual faz sentido nos atermos é o de se uma generalização em questões favorece ou desfavorece o objeto em questão. Ou seja, se o resumi é tão curto que deixe de ser uma expressão válida e passa a ser uma mentira.
Esse é o caso do ácido sulfúrico. Ele tomou de assalto todos os ácidos possíveis e existentes no mundo. A linguagem cotidiano refere-se apenas a ele quando faz menção à ácidos.
Mas isso não é problema nosso 🙂
Boa dia e deixe seu comentário

Hegel

Exponho-me aqui para ser criticado, me pediram para falar algo de Hegel, para fazer uma espécie de “Hegel em um miojo”. Escrevi isso e agora peço para meus amigos formados e graduandos (e todos na verdade) para esporem falhas, erros e incongruências nessa “exposição” que fiz:

“O Hegel é praticamente um dos últimos filósofos metafísicos da história da filosofia – mas isso não tem importância para o que vou falar.
A metafísica é tipo uma “ontoteologia”. Explico, a metafísica é uma teoria do mundo que usa para explicá-lo, um elemento (ou uma entidade) fora dele.
O Hegal trabalha exatamente desta forma.
No Hegelianismo, o real é racional e o racional é real. O que isso significa? Isso quer dizer que todos os elementos [e processos] existentes no mundo são racionais.
São racionais porque respondem a um espírito racional. Ao qual normalmente nos referimos como espírito do tempo ou Zeit-Geist.
O processo de compreensão dessa racionalidade, que é o Absoluto, se dá pelo reconhecimento das “consciências finitas” (ou consciência do homem) como parte do espírito do tempo.
A filosofia do Hegel é uma filosofia teleológica. Ou seja, que busca os fins. Bom… O que isso quer dizer?
A consciência do homem se reconhece com relação ao espírito do tempo quando percebe que é parte do processo histórico, o “caminhar do espírito”, em direção ao fim da história.
Fim aqui não tem sentido de “termino”. Hegel não é apocalíptico. Fim aqui é melhor entendido como finalidade, ou seja, a compreensão do Absoluto se dá quando as consciências finitas se dão conta do papel em que elas participam no caminhar do tempo em direção ao fim da história.

Torna-te eternamente responsável por aquilo que cativas

Torna-te eternamente responsável por aquilo que cativas

O grande filósofo alemão Peter Sloterdijk um dos maiores renovadores da cultura nas últimas duas décadas crê que as traduções do Pequeno Príncipe para o alemão não são suficientemente boas e publicou a própria versão do romance francês. Por que propriamente ele terá feito isso?
No início da primeira volume da sua maior obra, o Esferas (volume I: BOLHAS – recentemente lançado no Brasil em português) Sloterdijk avança com esta pintura e a seguinte interpretação:
A criança olha fixamente para a bolha de sabão exalada por ela. Naquele momento a criança e a bolha de sabão são unas. A criança, após exalar a bolha, passa a ser inspirada por ela. Olha fixamente para o belo fruto do ar de seus pulmões e voa junto com a bolha por ele exalada. Claro, em pouco tempo chega a hora da queda, a decepção de ter de retornar ao solo pelo estouro da bolha que o contia. Porém a criança prontamente percebe seu poder de exalar novas bolhas (“O que são esperanças frustradas se não ocasiões para novas tentativas?” Pergunta o Filósofo).
Quem terá exalado a criança? Quem exalou a humanidade? A terra? O mundo? Aquilo que os gregos chamavam de cosmos? “Tudo que é o caso”.
Torna-te eternamente responsável por aquilo que cativas. Frase do livro do senhor Exupéry. O que inspiras-te lhe compõe. Você pertence ao que lhe inspira.
Dentre outros (como aquele já salientado pelo filósofo Paulo Ghiraldellii no texto Sloterdijk e a redescrição da liberdade) acho que este poder ser visto coo um dos motivos que levou o Sloterdijk, um dos filósofos mais vivos da atualidade, a reeditar na Alemanha o conhecido livro.
Pedro Possebon, 16 de outubro, Santo André